Sua esposa faz TRH e recomendou para você? Entenda quando a reposição de testosterona é realmente indicada no homem, como é a avaliação médica e quais os resultados do tratamento. | Dr. Alessandro Rossol – Porto Alegre
Nos últimos meses, tenho recebido no consultório um perfil de paciente cada vez mais frequente: o homem que chega dizendo “Doutor, minha esposa começou a reposição hormonal, está com mais energia, mais disposição, dormindo melhor… e ela insistiu para eu vir aqui fazer o mesmo.”
Primeiro, uma boa notícia: esse movimento é positivo. Durante décadas, os homens evitaram falar sobre queda de libido, cansaço e desempenho sexual. Se a experiência positiva da parceira está trazendo esses homens para uma avaliação médica, isso é um avanço para a saúde masculina.
Agora, a informação mais importante deste artigo: a reposição hormonal feminina e a masculina são tratamentos completamente diferentes, com indicações completamente diferentes. E, no homem, querer fazer testosterona não é indicação para fazer testosterona.
TRH da mulher não é o mesmo que TRH do homem
Na mulher, a menopausa é um evento universal e bem definido: os ovários param de produzir estrogênio, os sintomas aparecem de forma marcante e, para muitas pacientes, a terapia hormonal tem indicação clara.
No homem, não existe “andropausa” nesse mesmo sentido. A testosterona cai de forma lenta e gradual — em média 1% a 2% ao ano após os 40 anos — e a maioria dos homens envelhece mantendo níveis normais do hormônio. O que existe é uma condição médica específica, chamada Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), também conhecida como hipogonadismo de início tardio.
E aqui está o ponto central: a DAEM só existe quando duas condições estão presentes ao mesmo tempo:
- Sintomas compatíveis — queda de libido, disfunção erétil, fadiga, perda de massa muscular, alterações de humor, redução dos pelos corporais;
- Testosterona comprovadamente baixa em exames laboratoriais, confirmada em mais de uma dosagem.
Sintomas sem exame alterado não são DAEM. Exame limítrofe sem sintomas também não é. É por isso que sigo rigorosamente os critérios das principais sociedades internacionais de urologia e medicina sexual — como a Associação Americana de Urologia (AUA) e a Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), das quais sou membro — antes de indicar qualquer reposição.
Por que não prescrevo testosterona “porque o paciente quer”
Essa é uma pergunta que respondo com frequência no consultório, e a resposta é simples: testosterona em homem com níveis normais não traz os benefícios esperados e traz riscos reais.
Quando um homem com testosterona normal usa hormônio externo, o organismo entende que não precisa mais produzir. Os testículos reduzem ou param a produção própria, o que pode causar:
- Infertilidade, pela supressão da produção de espermatozoides — um problema sério para homens que ainda desejam ter filhos;
- Atrofia testicular;
- Policitemia (aumento excessivo dos glóbulos vermelhos), que eleva o risco de trombose;
- Dependência do tratamento, já que o eixo hormonal pode demorar a se recuperar após a suspensão.
Além disso, o Conselho Federal de Medicina é claro: não existe respaldo científico para a chamada “modulação hormonal” com fins estéticos ou de desempenho. Prescrever testosterona sem indicação não é medicina — é colocar o paciente em risco.
Por outro lado, quando a indicação existe de verdade, a reposição hormonal masculina é um tratamento seguro, eficaz e que transforma a qualidade de vida do paciente. O segredo está na avaliação criteriosa.
Como eu avalio os pacientes que me procuram para TRH
Meu método de avaliação segue um protocolo estruturado, construído ao longo de mais de 20 anos dedicados exclusivamente à saúde sexual masculina:
1. Consulta detalhada. Investigo os sintomas com profundidade: libido, qualidade das ereções, ereções matinais, energia, sono, humor, desempenho físico. Também avalio o histórico completo — doenças como diabetes e obesidade, medicamentos em uso, qualidade do sono (a apneia do sono é uma causa frequente e reversível de testosterona baixa), consumo de álcool e uso prévio de anabolizantes, que é mais comum do que se imagina.
2. Exame físico direcionado. Avaliação dos testículos, características sexuais secundárias, distribuição de gordura corporal e exame da próstata quando indicado.
3. Investigação laboratorial completa. Doso a testosterona total pela manhã (entre 7h e 10h, quando o hormônio está no pico), e sempre confirmo com uma segunda dosagem em dia diferente — porque a testosterona oscila, e uma medida isolada pode enganar. Conforme o caso, complemento com testosterona livre e SHBG (fundamental em homens obesos ou com diabetes), LH e FSH (para diferenciar se o problema está no testículo ou no comando cerebral), prolactina, hemograma, PSA e perfil metabólico completo.
4. Exclusão de causas reversíveis e contraindicações. Antes de indicar reposição, verifico se não há uma causa tratável por trás da queda hormonal — obesidade, apneia do sono, medicamentos, distúrbios da tireoide. E confirmo que não existem contraindicações, como câncer de próstata ativo, hematócrito elevado ou desejo de paternidade a curto prazo.
Somente quando os sintomas e os exames confirmam o diagnóstico de DAEM é que a reposição hormonal entra no plano de tratamento.
E quando os exames são normais? Existe tratamento?
Existe — e essa é uma parte da consulta que muitos pacientes não esperam. Quando o homem tem sintomas, mas a testosterona é normal, o problema tem outra causa, e é ela que precisa ser tratada:
- Emagrecimento e atividade física: a perda de peso em homens obesos pode elevar a testosterona natural de forma significativa. O treinamento de força é especialmente eficaz;
- Tratamento da apneia do sono: dormir mal destrói a produção hormonal noturna. Tratar a apneia frequentemente normaliza os níveis;
- Controle do diabetes e da síndrome metabólica, que estão entre as principais causas de queda hormonal e disfunção erétil;
- Redução do álcool, que afeta diretamente a produção de testosterona;
- Terapias comportamentais e acompanhamento da saúde mental: ansiedade, estresse crônico e depressão causam queda de libido e disfunção erétil mesmo com hormônios perfeitos. Nesses casos, a abordagem comportamental e psicoterapêutica traz resultados que nenhum hormônio traria;
- Tratamentos específicos para disfunção erétil, quando ela é a queixa principal — desde medicamentos orais até terapias como ondas de choque, conforme cada caso.
Ou seja: nenhum paciente sai do consultório sem um plano. Ele sai com o plano certo para o problema dele.
As formas de reposição hormonal que ofereço aos meus pacientes
Quando a TRH é realmente indicada, individualizo a escolha da formulação conforme o perfil, a rotina e a preferência de cada paciente:
Gel transdérmico de testosterona. Aplicação diária na pele, com níveis hormonais estáveis e fisiológicos. É uma excelente opção para quem inicia o tratamento, pois permite ajuste fino da dose e suspensão rápida se necessário.
Injeções de curta duração (como o cipionato de testosterona e as associações de ésteres). Aplicações a cada 2 a 3 semanas. São opções acessíveis e eficazes, embora possam gerar alguma oscilação hormonal entre as doses — o que discuto abertamente com o paciente.
Undecilato de testosterona injetável de longa duração. Uma aplicação a cada 10 a 14 semanas, com níveis muito estáveis. É a opção preferida de muitos pacientes pela praticidade: cerca de quatro aplicações por ano, sem oscilações.
Importante: não utilizo implantes hormonais manipulados (os chamados “chips”), que não possuem aprovação regulatória nem controle adequado de dose — posição alinhada às sociedades médicas e ao CFM.
Todo paciente em reposição segue um protocolo de monitoramento: reavaliação clínica e laboratorial nos primeiros 3 meses, depois aos 6 e 12 meses, e anualmente a partir daí — sempre acompanhando testosterona, hematócrito e PSA. Reposição hormonal bem feita é reposição hormonal acompanhada.
Quais resultados o paciente pode esperar da TRH bem indicada
Quando o diagnóstico está correto, os resultados da reposição hormonal seguem uma linha do tempo previsível e bem documentada na literatura científica:
- Nas primeiras semanas: melhora da libido e do interesse sexual, frequentemente relatada já no primeiro mês;
- Em 1 a 3 meses: mais energia e disposição, melhora do humor, melhora da qualidade das ereções (especialmente quando associada ao tratamento da disfunção erétil, quando presente);
- Em 3 a 6 meses: ganho de massa muscular e redução de gordura corporal, potencializados quando o paciente associa atividade física;
- A partir de 6 a 12 meses: melhora da densidade óssea e consolidação dos benefícios metabólicos.
É uma transformação real — mas ela só acontece no paciente certo. No homem com testosterona normal, esses benefícios simplesmente não se repetem, e sobram apenas os riscos.
A recomendação da sua esposa vale ouro — o diagnóstico é meu trabalho
Se a sua parceira faz TRH, está feliz com os resultados e sugeriu que você procurasse ajuda, ouça-a: agende uma avaliação. Talvez você realmente tenha DAEM e seja um excelente candidato à reposição. Ou talvez seus sintomas tenham outra causa — e ela também tem tratamento.
Nos dois cenários, você sai ganhando. O que eu não faço, em respeito à sua saúde, é prescrever hormônio sem critério científico.
Atendo em Porto Alegre, com avaliação completa da saúde hormonal e sexual masculina, em ambiente discreto e acolhedor.
Você se identificou com esses sintomas? Agende sua avaliação
Se você tem percebido queda de libido, ereções mais fracas, cansaço constante, desânimo, perda de massa muscular ou dificuldade para dormir, esses podem ser sinais de alteração hormonal — e a única forma de saber com certeza é através de uma avaliação médica completa.
Não conviva com sintomas que têm tratamento. Entre em contato agora com a minha equipe e agende sua consulta:
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Dê o primeiro passo — com ciência, e não com achismo.
Dr. Alessandro Rossol é urologista com atuação exclusiva em andrologia (saúde sexual masculina) há mais de 20 anos, membro da Associação Americana de Urologia (AUA) e da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), com formação internacional na França, Bélgica, Estados Unidos e Inglaterra.