Plicatura peniana:
correção da curvatura na Doença de Peyronie
também em deformidades graves.
Plicatura peniana é uma cirurgia estabelecida para correção de curvaturas leves a moderadas na Doença de Peyronie. No entanto, um estudo retrospectivo avaliou resultados de longo prazo também em deformidades graves.
Assim, o conteúdo abaixo resume os dados do estudo, incluindo correção da curvatura, função sexual, encurtamento subjetivo, IIEF-5, limitações e implicações clínicas.
Em primeiro lugar, a cirurgia de plicatura peniana para Doença de Peyronie é uma opção de tratamento estabelecida para curvaturas leves a moderadas. Além disso, costuma ser considerada quando a deformidade impede ou dificulta a relação sexual e quando o quadro já está estável.
Apesar disso, ainda existem menos dados sobre sua utilidade em deformidades graves. Por isso, o estudo apresentado avaliou resultados de longo prazo em homens submetidos à plicatura, comparando casos graves com casos leves ou moderados.
Em resumo, a pergunta central foi: a plicatura peniana pode oferecer resultados semelhantes em curvaturas graves quando comparada a deformidades menos intensas?
Plicatura peniana: o que o estudo avaliou?
Para começar, os pesquisadores realizaram uma revisão retrospectiva de pacientes submetidos à plicatura peniana para Doença de Peyronie entre 2009 e 2017.
327 pacientes submetidos à plicatura peniana
O estudo avaliou dados demográficos, resultados cirúrgicos e questionários aplicados por telefone em longo prazo.
Além disso, a equipe realizou plicatura múltipla paralela dos corpos cavernosos em todos os pacientes, sem dissecção exagerada, também chamada de degloving extenso.
Além disso, os autores definiram Doença de Peyronie grave como curvatura igual ou superior a 60 graus, ou curvatura biplanar igual ou superior a 35 graus.
Como foram definidos os grupos?
Dos 327 pacientes operados, 102 responderam à pesquisa por telefone. Os autores distribuíram esses pacientes igualmente em dois grupos.
Casos graves
Em primeiro lugar, 51 pacientes foram classificados no grupo de deformidade grave.
Casos leves ou moderados
Além disso, 51 pacientes foram classificados no grupo leve ou moderado.
Curvatura média grave
Da mesma forma, pacientes graves tinham curvatura média de 71,6 graus.
Curvatura média leve/moderada
Por fim, pacientes leves ou moderados tinham curvatura média de 37,7 graus.
Curvatura grave não é apenas uma questão estética
Além disso, curvaturas intensas podem dificultar ou impedir penetração, causar dor, insegurança, disfunção sexual e sofrimento do casal. Portanto, a indicação cirúrgica precisa avaliar função, estabilidade da doença, ereção, expectativa de comprimento e objetivo do paciente.
Resultados: correção da curvatura peniana
Apesar do maior grau médio de curvatura nos pacientes graves, a correção cirúrgica apresentou resultados favoráveis no estudo.
Correção alcançada em 91% dos pacientes
A cirurgia alcançou correção da curvatura peniana em 91% dos pacientes avaliados.
Nos casos graves, por exemplo, a mudança média foi de 60,7 graus. Por outro lado, nos casos leves ou moderados, a mudança média foi de 31,4 graus, com diferença estatisticamente significativa.
Além disso, um número igual de pacientes nos grupos grave e leve/moderado relatou melhora da curvatura peniana: 74,5% versus 74,5%.
Exemplo clínico descrito no estudo
Além disso, o estudo descreve um caso de plicatura peniana em deformidade grave da Doença de Peyronie.
Curvatura dorsal de 70 graus
Nesse exemplo, a fotografia pré-operatória demonstrava curvatura dorsal de 70 graus. Após plicatura minimamente invasiva, os cirurgiões obtiveram excelente endireitamento, com curvatura dorsal residual de 8 graus.
Além disso, o encurtamento do pênis foi descrito como mínimo nesse caso específico. Ainda assim, o risco de encurtamento precisa ser discutido em toda avaliação pré-operatória.
Função sexual, IIEF-5 e encurtamento subjetivo
Os autores avaliaram os resultados relatados pelos pacientes com questionário modificado de Doença de Peyronie e com o IIEF-5.
O que os pacientes relataram no longo prazo?
Além disso, a análise por telefone buscou entender a percepção dos próprios pacientes após a cirurgia. Dessa forma, o estudo avaliou melhora de curvatura, função sexual, encurtamento subjetivo e escores de função erétil.
Resultados relatados pelos pacientes
Função sexual
No questionário, por sua vez, 51,0% dos pacientes graves e 49,0% dos pacientes leves/moderados relataram melhora da função sexual, sem diferença significativa.
Questionário de Peyronie
As métricas do questionário modificado de Doença de Peyronie foram semelhantes entre os grupos graves e leves/moderados.
Encurtamento subjetivo
Os dois grupos relataram as mesmas taxas de encurtamento subjetivo: 62,7% nos casos graves e 62,7% nos casos leves/moderados.
IIEF-5
Da mesma forma, os grupos apresentaram escores IIEF-5 pré e pós-operatórios semelhantes, sem diferença estatisticamente significativa.
IIEF-5 pré-operatório
Os escores foram 19,5 nos casos graves e 19,7 nos casos leves/moderados.
IIEF-5 pós-operatório
Após a cirurgia, os escores foram 19,4 nos casos graves e 17,6 nos casos leves/moderados.
Agravamento da função sexual
Na regressão multivariada, piora da função sexual se associou ao aumento da idade.
IIEF pré-operatório
Além disso, piora da função sexual também se associou ao IIEF pré-operatório.
Implicações clínicas da plicatura peniana
Por isso, os autores defendem que a cirurgia de plicatura peniana deve ser considerada em pacientes com Doença de Peyronie e deformidades graves.
Por que considerar em casos graves?
De acordo com os dados apresentados, os resultados de longo prazo em deformidades graves foram favoráveis e comparáveis aos pacientes com curvatura leve ou moderada.
Portanto, a indicação de plicatura peniana pode ir além das deformidades mais leves, desde que o caso seja bem selecionado e o paciente compreenda os benefícios, limitações e riscos.
Forças e limitações do estudo
No entanto, como todo estudo retrospectivo, os resultados precisam ser interpretados com cautela. Ainda assim, o trabalho traz informações úteis sobre longo prazo.
Resultado em longo prazo
Em primeiro lugar, o estudo avaliou resultados relatados pelos pacientes em média quase 5 anos após a cirurgia.
Comparação por gravidade
Além disso, comparou deformidades graves com curvaturas leves ou moderadas.
Desenho retrospectivo
Por outro lado, o desenho retrospectivo limita a força das conclusões.
Taxa de resposta
Por fim, apenas 31% dos pacientes responderam à pesquisa telefônica, e isso pode influenciar os resultados.
Plicatura pode corrigir curvatura, mas não é igual para todos
Em resumo, o urologista escolhe a técnica cirúrgica considerando grau de curvatura, comprimento peniano, qualidade da ereção, estabilidade da Doença de Peyronie, expectativa do paciente e experiência cirúrgica. Portanto, a avaliação individual é indispensável.
Conclusão do estudo
Os pacientes submetidos à plicatura peniana para deformidades graves de Doença de Peyronie relataram resultados de longo prazo comparáveis aos pacientes com casos leves ou moderados.
Como aplicar esses dados na prática?
Portanto, o estudo não elimina a necessidade de avaliação individual. Pelo contrário, ele reforça que a plicatura peniana pode entrar na discussão mesmo em curvaturas graves, desde que o paciente entenda benefícios, limitações e riscos.
Plicatura peniana pode ser opção em curvaturas graves selecionadas
O estudo apoia a indicação cirúrgica de plicatura peniana além das deformidades mais leves.
Em resumo, a técnica apresentou correção relevante da curvatura e resultados relatados pelos pacientes semelhantes entre grupos graves e leves/moderados.
No entanto, a decisão cirúrgica deve considerar risco de encurtamento, função erétil, expectativa estética e funcional, além da experiência do cirurgião.
Vídeo: tratamento cirúrgico da Doença de Peyronie
Por fim, no vídeo citado no texto original, o Dr. Rossol fala sobre o tratamento cirúrgico da Doença de Peyronie. Como o link do vídeo não foi enviado junto com este conteúdo, deixei este bloco preparado para inserir o embed posteriormente.
Fonte bibliográfica
Texto-base sobre plicatura peniana na Doença de Peyronie, revisão retrospectiva de pacientes submetidos à cirurgia entre 2009 e 2017, resultados relatados pelos pacientes, IIEF-5 e comparação entre deformidades graves e leves/moderadas.
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Perguntas frequentes sobre plicatura peniana
O que é plicatura peniana?
Em termos simples, é uma cirurgia usada para corrigir curvatura peniana, especialmente em casos selecionados de Doença de Peyronie.
A plicatura peniana serve para curvatura grave?
Segundo o estudo descrito, sim, em casos selecionados. Os resultados em deformidades graves foram comparáveis aos casos leves ou moderados.
Qual foi a taxa de correção da curvatura?
No estudo, a correção da curvatura peniana foi alcançada em 91% dos pacientes avaliados no estudo.
A plicatura peniana pode encurtar o pênis?
Sim. Além disso, o encurtamento subjetivo foi relatado por 62,7% dos pacientes em ambos os grupos. Por isso, esse risco deve ser discutido antes da cirurgia.
Quem deve avaliar a indicação?
Um urologista ou andrologista com experiência em Doença de Peyronie deve avaliar curvatura, ereção, comprimento, estabilidade e expectativa do paciente antes de indicar a cirurgia.
Curvatura peniana pode ter tratamento cirúrgico.
Agende uma avaliação com o Dr. Alessandro Rossol em Porto Alegre para discutir Doença de Peyronie, grau de curvatura, função erétil e opções de correção cirúrgica.
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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada. Portanto, a indicação de plicatura peniana deve considerar exame físico, documentação da curvatura, função erétil, estabilidade da doença e avaliação especializada.
8 respostas
Eu tenho doenca de peyronie ,sao tres placas.
A que mais me incomoda é a dorsal que dá a ilpressao de ampulheta e de quebrado.
Um número maior de placas não significa, necessariamente, que é um caso mais complicado de doença de Peyronie. Pacientes que tem efeito ampulheta, que é um afinamento do corpo do pênis, ou efeito de ¨cinta¨, geralmente são mais complexos. O efeito ampulheta normalmente não gera muita tortuosidade, mas causa INSTABILIDADE do pênis no momento do coito. E esta instabilidade prejudica a relação sexual, limita posições e, muitas vezes, está relacionada com diminuição da potência. Pacientes com efeito ampulheta devem focar nos tratamentos clínicos na fase mais precoce, inicial, da doença. Isso porque o resultado da cirurgia (que pode ser realizada na fase tardia), nestes casos, não é muito eficiente ou estes pacientes acabam tendo que realizar um implante de prótese peniana.
Muito bom.
Fiz a cirurgia de plicatura, sem problema ficou ótima.
Tenho 65 anos, saúde beleza, sem qualquer medicamento, apenas sinto alguma dificuldade na ereção para o ato sexual.
Olá Manoel!
Diminuição da função erétil pode acontecer em alguns pacientes nas primeiras semanas de pós operatório de Peyronie. Mas normalmente recupera bem! Se persistir após seis meses, o paciente deve ser avaliado e tratado para corrigir o problema. Para avaliar, sugiro consulta com especialista e ecodoppler peniano com teste fármaco-induzido de ereção.
Gostei da explicação Dr. Alessandro.
Além da placa tenho uma leve redução no calibre na parte inferior do pênis, dando essa impressão de “ampulheta”, ou “cintura”. Ocorreu em 2019 e agora já estabilizou. A penetração é dificultosa devido à curvatura e a facilidade de dobrar para cima, que é onde tem a placa…
Meu caso parece ser meio complexo então…
Obrigado
Provavelmente sim. Mas vale lembrar que, para se dar um parecer sobre a complexidade o caso, o ideal é fazer um ecodoppler peniano com teste de ereção. E, de preferência, este exame ser realizado pelo próprio urologista que acompanha o paciente. O exame físico in loco com ereçao e doppler são a melhor maneira de diagnosticar, interpretar bem o caso e indicar a melhor conduta para o paciente com Peyronie.
Bom dia, também tenho esse problema de efeito cinta ou ampulheta na parte superior do pênis, antes da glande, houve diminuição e calibre de tamanho e prejudicou a ereção. Já usei bomba de vácuo, extensor e não adianta. Gostaria de fazer a cirurgia para corrigir o problema e voltar a ter uma vida sexual normal., pois perdi a potência e está me causando incômodos.
Boa tarde Rogério!
No seu caso indico a realização de um ecodoppler peniano com teste fármaco-induzido de ereção.
E, de preferência, realizar este exame com um médico urologista que trata Peyronie.
A avaliação da deformidade com o pênis em ereção pelo médico é fundamental para aconselhar a melhor conduta.
Att.