Estudo compara resultados de reposição hormonal para homens hipogonádicos tratados com cipionato de testosterona intramuscular versus enantato de testosterona subcutâneo

hormonalalessandro
Andrologia — Saúde Hormonal Masculina

Cipionato de testosterona:
TRT intramuscular, enantato subcutâneo
e segurança laboratorial.

Cipionato de testosterona intramuscular é uma forma de terapia de reposição de testosterona usada em homens com hipogonadismo. No entanto, por poder gerar picos de testosterona, o tratamento exige acompanhamento de testosterona total, estradiol, hematócrito e PSA. Um estudo publicado no The Journal of Urology comparou cipionato intramuscular com enantato subcutâneo em autoinjetor.

TRT Testosterona total Estradiol Hematócrito PSA

A testosterona é um dos hormônios mais importantes do sexo masculino e é produzida principalmente nos testículos. Além disso, participa do desenvolvimento das características sexuais masculinas, da libido, da função erétil, da produção e maturação dos espermatozoides, da massa muscular, da saúde óssea e do bem-estar físico e mental.

Quando existe deficiência de testosterona, o homem pode apresentar sinais e sintomas progressivos. Por isso, o diagnóstico não deve se basear apenas em uma queixa isolada, mas em avaliação clínica, exames laboratoriais e acompanhamento especializado.

Em alguns casos, a terapia de reposição pode ser indicada. Ainda assim, o cipionato de testosterona e outras formas de TRT não devem ser usados sem diagnóstico, sem monitoramento ou com objetivo estético.

O que é a testosterona?

A testosterona não controla apenas características sexuais e reprodução. Na verdade, ela também desempenha papel importante na saúde global do homem.

01

Desejo sexual e ereção

Em primeiro lugar, a testosterona participa da libido e pode influenciar a função sexual masculina.

02

Fertilidade

Além disso, tem relação com espermatogênese, desenvolvimento e maturação dos espermatozoides.

03

Músculos, ossos e sangue

Da mesma forma, influencia massa muscular, densidade mineral óssea e produção de hemácias.

04

Bem-estar físico e mental

Por fim, níveis baixos podem se associar a fadiga, alterações de humor, baixa energia e redução de qualidade de vida.

Reposição hormonal não é tratamento “genérico” para cansaço

Baixa libido, alterações de humor, perda de massa muscular e aumento de gordura corporal podem ter várias causas. Portanto, antes de iniciar TRT, o médico deve confirmar hipogonadismo e avaliar riscos, contraindicações e objetivos do tratamento.

Deficiência de testosterona e sintomas de andropausa

A deficiência de testosterona pode causar uma variedade de sinais. Entretanto, nem todos os homens apresentam todos os sintomas ao mesmo tempo.

Sinais e consequências associados à baixa testosterona

Baixa libido e alteração sexual

A redução de testosterona pode diminuir desejo sexual e afetar função sexual. Além disso, pode coexistir com disfunção erétil por outras causas.

Osteopenia e osteoporose

Quando os sinais não são tratados, pode haver perda de densidade mineral óssea. Como consequência, o risco de fraturas pode aumentar.

Menor massa muscular

A queda hormonal pode se associar à redução de massa muscular. Portanto, avaliação hormonal pode fazer parte de uma investigação mais ampla.

Anemia e hemácias

A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. Por isso, a anemia pode aparecer como parte do quadro de deficiência hormonal.

Cipionato de testosterona e enantato subcutâneo: o que o estudo comparou?

O estudo comparou duas modalidades de terapia de reposição de testosterona em homens hipogonádicos: cipionato de testosterona intramuscular e enantato de testosterona subcutâneo em autoinjetor.

The Journal of Urology · 2022

IM-TC versus SCTE-AI

O trabalho avaliou testosterona total, estradiol, hematócrito e PSA antes e depois de 12 semanas de tratamento.

No texto-base, o cipionato de testosterona intramuscular foi descrito como conhecido por causar aumentos significativos de estradiol, hematócrito e PSA devido a picos suprafisiológicos de testosterona.

Por outro lado, o autoinjetor de enantato de testosterona subcutâneo foi projetado com menor proporção entre pico e vale de testosterona, com objetivo de mitigar essas reações laboratoriais.

234 homensHomens hipogonádicos tratados com TRT.
100 mg/semanaDose semanal em ambas as modalidades descritas.
12 semanasTempo entre linha de base e avaliação pós-tratamento.
TT, E2, HCT e PSAMarcadores acompanhados no estudo.

Materiais e métodos do estudo

O estudo incluiu 234 homens hipogonádicos tratados com terapia de reposição de testosterona por uma das duas modalidades.

IM-TC

Em primeiro lugar, uma coorte recebeu cipionato de testosterona intramuscular, 100 mg semanalmente.

SCTE-AI

Além disso, outra coorte recebeu enantato de testosterona subcutâneo em autoinjetor, também 100 mg semanalmente.

Exames avaliados

Da mesma forma, os níveis de TT, E2, HCT e PSA foram obtidos na linha de base e 12 semanas depois.

Análise estatística

Por fim, modelos de regressão linear avaliaram se a modalidade se associava aos níveis pós-TRT desses marcadores.

Resultados: testosterona total aumentou nos dois grupos

Após o tratamento, ambas as coortes apresentaram aumento significativo na testosterona total mínima em comparação com os níveis basais.

313,6

IM-TC basal

O grupo cipionato intramuscular partiu de testosterona total mínima de 313,6 ng/dL.

536,4

IM-TC pós-TRT

Após TRT, o grupo IM-TC chegou a 536,4 ng/dL, com p < 0,001.

246,6

SCTE-AI basal

O grupo enantato subcutâneo partiu de testosterona total mínima de 246,6 ng/dL.

552,8

SCTE-AI pós-TRT

Depois da TRT, o grupo SCTE-AI chegou a 552,8 ng/dL, com p < 0,001.

Comparação da testosterona total

Após regressão linear, a modalidade de TRT não se associou aos níveis de testosterona total pós-tratamento, com p = 0,057. Em outras palavras, ambas as modalidades forneceram aumento significativo de testosterona total no estudo.

Estradiol, hematócrito e PSA após TRT

A diferença principal descrita no estudo apareceu nos marcadores de segurança laboratorial, especialmente estradiol e hematócrito.

O que mudou nos marcadores laboratoriais?

Estradiol

O SCTE-AI foi independentemente associado a menor estradiol pós-terapia em comparação com IM-TC, com p < 0,001.

Hematócrito

Além disso, SCTE-AI foi independentemente associado a menor hematócrito pós-terapia, também com p < 0,001.

PSA

Nenhuma das modalidades de TRT foi associada a elevação significativa do PSA pós-terapia, com p = 0,965.

Perfil de segurança

Portanto, o enantato subcutâneo em autoinjetor foi descrito como um sistema eficaz com perfil potencialmente preferível em relação ao IM-TC.

Por que hematócrito e estradiol importam?

Durante a TRT, o médico precisa monitorar não apenas a testosterona total. Além disso, estradiol elevado pode se associar a efeitos indesejáveis, enquanto hematócrito alto pode aumentar preocupação clínica. Portanto, o acompanhamento laboratorial é parte da segurança do tratamento.

Cipionato de testosterona: o que significa ter “pico e vale”?

Algumas formulações injetáveis podem gerar variações mais amplas entre o pico de testosterona após a aplicação e o nível mais baixo antes da próxima dose.

Interpretação clínica

O estudo parte da hipótese de que o cipionato de testosterona intramuscular pode gerar picos suprafisiológicos. Consequentemente, esses picos podem aumentar a conversão para estradiol e estimular maior elevação do hematócrito.

Por outro lado, o enantato subcutâneo em autoinjetor foi desenvolvido para uma proporção menor entre pico e vale. Em tese, isso poderia reduzir oscilações e melhorar alguns marcadores laboratoriais.

Conclusão do estudo sobre IM-TC e SCTE-AI

Tanto o cipionato intramuscular quanto o enantato subcutâneo elevaram significativamente a testosterona total. Entretanto, o SCTE-AI se associou a menores níveis pós-terapia de hematócrito e estradiol após ajuste para covariáveis significativas.

Resumo prático

TRT eficaz precisa ser TRT monitorada

A melhora laboratorial da testosterona não é o único objetivo do tratamento.

Em resumo, a TRT deve buscar melhora clínica com segurança. Para isso, o acompanhamento deve considerar sintomas, testosterona total, estradiol, hematócrito, PSA, fertilidade, próstata, risco cardiovascular e objetivos do paciente.

Além disso, a escolha da formulação deve ser individualizada. O que funciona bem para um paciente pode não ser ideal para outro.

O que observar antes de iniciar reposição de testosterona?

A decisão de iniciar TRT deve ser médica e individualizada. Além disso, sintomas, exames e riscos precisam ser avaliados em conjunto.

Confirmar diagnóstico

Em primeiro lugar, é necessário confirmar deficiência de testosterona com exames adequados e sintomas compatíveis.

Avaliar fertilidade

Além disso, homens que desejam ter filhos precisam discutir fertilidade, porque TRT pode interferir na produção de espermatozoides.

Monitorar exames

Da mesma forma, TT, E2, HCT e PSA ajudam a acompanhar resposta e segurança durante o tratamento.

Evitar automedicação

Por fim, usar testosterona sem indicação pode trazer riscos hormonais, reprodutivos, cardiovasculares e prostáticos.

Andropausa, mortalidade e cuidado cardiovascular

O texto-base menciona que estudos recentes demonstraram diminuição de mortalidade em homens com DAEM que realizam reposição hormonal, principalmente por eventos cardiovasculares. Ainda assim, esse ponto deve ser interpretado dentro de avaliação médica individual e não como autorização para uso indiscriminado.

Portanto, a reposição de testosterona deve fazer parte de um plano de saúde masculina completo, com controle metabólico, avaliação cardiovascular, acompanhamento urológico e monitoramento laboratorial.

Fonte bibliográfica

  1. The Journal of Urology, Volume 207, Issue 3, March 2022, Pages 677-683.
  2. AUA Journals — comparação entre cipionato de testosterona intramuscular e enantato subcutâneo em autoinjetor.

Perguntas frequentes sobre cipionato de testosterona

O que é cipionato de testosterona?

É uma forma injetável de testosterona usada em TRT quando há diagnóstico de hipogonadismo e indicação médica.

Cipionato de testosterona pode aumentar estradiol?

Sim. Segundo o texto-base, o cipionato intramuscular pode gerar picos de testosterona e se associar a aumento de estradiol.

Por que monitorar hematócrito na TRT?

Porque a testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. Portanto, hematócrito elevado pode exigir ajuste ou reavaliação do tratamento.

O estudo mostrou aumento significativo do PSA?

Não. No estudo citado, nenhuma das modalidades de TRT foi associada a elevação significativa do PSA pós-terapia.

Posso usar testosterona sem acompanhamento?

Não. A TRT exige diagnóstico correto, exames, avaliação de riscos, acompanhamento urológico e monitoramento laboratorial.

Reposição de testosterona exige diagnóstico e acompanhamento.

Agende uma avaliação com o Dr. Alessandro Rossol em Porto Alegre para investigar sintomas de baixa testosterona, avaliar exames e discutir opções seguras de tratamento.

Centro Clínico Mãe de Deus · Rua Costa 30, sala 502, Menino Deus  |  Hospital Moinhos de Vento · Rua Ramiro Barcelos 910, sala 902A  |  (51) 3230-2622

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada. Portanto, testosterona, cipionato, enantato ou qualquer forma de TRT devem ser usados apenas com diagnóstico, indicação e acompanhamento profissional.

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