Ondas de choque na disfunção erétil:
regeneração nervosa, angiogênese
e recuperação funcional.
Ondas de choque na disfunção erétil foram avaliadas em um estudo experimental com lesão neurovascular pélvica. O trabalho investigou se a terapia por ondas de choque de baixa energia poderia melhorar função erétil, angiogênese, regeneração nervosa e ativação de células de Schwann.
Em primeiro lugar, disfunção erétil relacionada ao trauma pode ocorrer após cirurgias pélvicas ou lesões locais. Além disso, costuma se associar a dano dos nervos cavernosos e do feixe do nervo pudendo interno.
Depois da lesão, isquemia e degeneração neural podem prejudicar a capacidade erétil e reduzir a resposta aos tratamentos existentes. Por isso, pesquisadores buscam estratégias que atuem além do controle sintomático.
Nesse contexto, as ondas de choque na disfunção erétil aparecem como uma possível abordagem regenerativa. No entanto, o estudo analisado é experimental e foi realizado em modelo animal.
Ondas de choque na disfunção erétil: por que estudar LESW?
Inicialmente, a terapia por ondas de choque de baixa energia, também chamada LESW, já foi usada em condições musculoesqueléticas. Mais recentemente, os pesquisadores passaram a estudar sua aplicação em doença isquêmica do coração e disfunção erétil vasculogênica.
Lesão neurovascular
Em primeiro lugar, a lesão pélvica pode afetar nervos, vasos e tecidos cavernosos envolvidos na ereção.
Tratamentos atuais
Além disso, medicamentos orais, vácuo, injeções, terapia transuretral e prótese peniana ajudam, mas não restauram sempre a fisiologia normal.
Regeneração nervosa
Da mesma forma, estudos anteriores sugeriram que ondas de choque podem estimular marcadores ligados a crescimento axonal.
Células de Schwann
Por fim, células de Schwann participam da regeneração de nervos periféricos e podem responder a estímulos mecânicos.
Importante: estudo experimental não é promessa de cura
Em resumo, o estudo avaliou ratos e culturas celulares. Portanto, os resultados ajudam a entender mecanismos biológicos, mas não devem ser lidos como garantia de resposta clínica em todos os homens com disfunção erétil.
Objetivo do estudo sobre ondas de choque e lesão pélvica
Para começar, os autores desenvolveram um novo modelo animal de disfunção erétil por lesão neurovascular pélvica e testaram diferentes níveis de energia da LESW.
Modelo de lesão neurovascular pélvica
O estudo combinou lesão bilateral do nervo cavernoso com lesão do feixe pudendo interno.
Além disso, a hipótese dos autores foi que a LESW poderia melhorar função erétil, angiogênese e inervação ao ativar células de Schwann locais e aumentar o recrutamento de células progenitoras.
Materiais e métodos: como a terapia foi testada?
Em seguida, os pesquisadores dividiram os animais em quatro grupos: cirurgia simulada, lesão neurovascular pélvica sem tratamento, LESW de baixa energia e LESW de alta energia.
Desenho experimental em resumo
Modelo PVNI
Primeiramente, o modelo incluiu lesão do nervo cavernoso bilateral e lesão do feixe pudendo interno.
LESW de baixa energia
Além disso, um grupo recebeu 0,06 mJ/mm², 300 pulsos em 3 Hz, aplicado à região pélvica.
LESW de alta energia
Da mesma forma, outro grupo recebeu tratamento de maior energia, com 0,09 mJ/mm².
Função erétil
Por fim, os pesquisadores mediram a pressão intracavernosa para avaliar recuperação funcional.
Como interpretar os dados do modelo animal?
Em primeiro lugar, os resultados mostram uma resposta biológica promissora em ambiente experimental. Além disso, eles ajudam a explicar possíveis mecanismos de reparo. No entanto, a resposta observada em ratos não deve ser automaticamente transferida para todos os pacientes humanos.
Resultados: melhora da função erétil no modelo animal
Como resultado, o tratamento com ondas de choque de baixa energia melhorou a função erétil no modelo de lesão neurovascular pélvica.
Grupo controle PVNI
A relação PIC/MAP foi de 0,17 ± 0,03 no grupo controle lesionado.
LESW baixa energia
O grupo tratado com baixa energia apresentou PIC/MAP de 0,56 ± 0,10.
LESW alta energia
O grupo de alta energia apresentou PIC/MAP de 0,82 ± 0,08.
Interpretação
Portanto, ambos os grupos tratados tiveram recuperação parcial da função erétil, com melhor resultado no grupo de alta energia.
Angiogênese peniana e recuperação vascular
Além disso, os pesquisadores avaliaram se a melhora funcional se relacionava com mudanças na vascularização do tecido peniano.
O que aconteceu com os vasos?
Nesse grupo com lesão neurovascular, a artéria dorsal do pênis entrou em colapso e o endotélio ficou atrófico. Depois da LESW, as artérias penianas dorsais recuperaram uma estrutura de aparência mais normal, com pequenos vasos sanguíneos ao redor.
Além disso, a terapia promoveu a expressão de vWF nos tecidos penianos dos grupos tratados. Em resumo, os achados sugerem que a LESW favoreceu angiogênese e reabilitação do tecido cavernoso.
Regeneração nervosa e fibras nNOS
Além do efeito vascular, o estudo também avaliou marcadores de regeneração nervosa no pênis.
LESW promoveu regeneração nervosa peniana
Os grupos tratados tiveram aumento significativo do número de feixes nervosos em comparação com grupos não tratados.
Após a lesão pélvica, as fibras nervosas diminuíram de forma importante. No entanto, após o tratamento com LESW, os números de nervos contendo fibras aumentaram.
Além disso, a expressão de nNOS no tecido peniano aumentou nos grupos tratados, sugerindo melhor regeneração de fibras nervosas relacionadas à ereção.
Células progenitoras, SDF-1 e regeneração do tecido
Além disso, o estudo investigou o recrutamento de células progenitoras endógenas no tecido peniano.
Células progenitoras
Em primeiro lugar, os autores observaram aumento de células EdU+ nos tecidos cavernosos dos grupos tratados.
Quimioatração
Além disso, a expressão de SDF-1 se correlacionou com maior número de células EdU+.
Amplificação local
Da mesma forma, a LESW pareceu aumentar e manter sinais de recrutamento celular no tecido lesionado.
Resposta regenerativa
Por fim, os dados sugerem participação de mecanismos locais de reparo após lesão pélvica.
Células de Schwann e regeneração dos nervos penianos
Por sua vez, as células de Schwann são fundamentais para crescimento e regeneração de fibras nervosas periféricas.
Como a LESW pode atuar nas células de Schwann?
Desdiferenciação
Primeiramente, após lesão, células de Schwann podem assumir estado mais reparativo para guiar novo crescimento nervoso.
Proliferação
Além disso, o tratamento aumentou marcadores associados à proliferação e ativação, como p75 e p-ERK1/2.
Ambiente favorável
Da mesma forma, a ativação dessas células pode criar ambiente mais favorável para crescimento dos nervos.
Questões abertas
Por fim, ainda não está totalmente claro se as células progenitoras vêm de outros locais, do próprio tecido peniano ou de ambos.
Discussão: por que esse estudo é relevante?
Em síntese, o estudo propôs um modelo animal mais próximo da lesão pélvica humana e avaliou mecanismos regenerativos após LESW.
Potencial translacional
Nesse modelo, os autores observaram melhora funcional e histológica após 4 semanas de tratamento. Além disso, identificaram angiogênese, recirculação, regeneração de fibras nervosas e ativação de células de Schwann.
No entanto, eles também reconhecem que os mecanismos precisos da terapia por ondas de choque ainda não são completamente compreendidos. Portanto, os resultados devem orientar novas pesquisas, não substituir avaliação clínica individualizada.
Comentário editorial: cautela ao traduzir para humanos
Além disso, o Dr. Joao Zambon comentou o estudo na mesma edição do Journal of Sexual Medicine.
Mais estudos são necessários
No editorial, destacou-se que modelos animais pequenos são úteis para testar abordagens terapêuticas. Entretanto, diferenças de anatomia, fisiologia e vias de sinalização dificultam traduzir os mesmos resultados diretamente para seres humanos.
Além disso, o comentário encorajou novos estudos em animais de grande porte, com maior tempo de seguimento, e comparação com terapias padrão-ouro.
Conclusão do estudo
Por fim, o tratamento com LESW melhorou a função erétil no modelo de rato com lesões neurovasculares pélvicas.
Ondas de choque mostraram efeito regenerativo no modelo experimental
Além disso, o tecido vascular e, especialmente, o tecido neuronal demonstraram melhor recuperação após a terapia.
Em resumo, o mecanismo dos efeitos benéficos parece envolver recrutamento de células progenitoras endógenas e ativação de células de Schwann.
Apesar disso, por se tratar de estudo experimental, a aplicação clínica deve considerar evidências em humanos, indicação correta, expectativa realista e avaliação urológica especializada.
Mensagem clínica com cautela
Portanto, o estudo reforça uma hipótese regenerativa interessante. Ainda assim, a indicação de ondas de choque na disfunção erétil precisa considerar diagnóstico, causa da disfunção, expectativas do paciente e evidências clínicas disponíveis.
Fonte bibliográfica
- Huixi Li, Melanie P. Matheu, Fionna Sun, Lin Wang, Melissa T. Sanford, Hongxiu Ning, Lia Banie, Yung-chin Lee, Zhongcheng Xin, Yinglu Guo, Guiting Lin, Tom F. Lue.
- Journal of Sexual Medicine, January 2016, Volume 13, Issue 1, Pages 22–32.
- Comentário editorial do Dr. Joao Zambon, Departmento de Medicina Regenerativa, Wake Forest University, Winston-Salem, NC, USA.
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Perguntas frequentes sobre ondas de choque na disfunção erétil
O que são ondas de choque na disfunção erétil?
Em termos simples, são ondas acústicas de baixa energia estudadas para estimular respostas biológicas no tecido peniano, como angiogênese e regeneração tecidual.
O estudo foi feito em humanos?
Não. Neste caso, o estudo foi experimental, feito em ratos com lesão neurovascular pélvica e em culturas de células de Schwann.
Houve melhora da função erétil?
Sim. No modelo animal, os grupos tratados apresentaram melhora significativa da relação PIC/MAP em comparação ao grupo controle.
Qual foi o possível mecanismo?
Em resumo, os autores sugeriram angiogênese, regeneração nervosa, recrutamento de células progenitoras e ativação de células de Schwann.
Isso significa que todos os pacientes terão resposta?
Não. Por isso, o editorial citado reforça a necessidade de mais estudos e cuidado ao traduzir resultados de animais para humanos.
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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada. Portanto, qualquer tratamento para disfunção erétil deve considerar causa, exames, histórico clínico, expectativas e orientação especializada.