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ALERTA: A “onda de choque” que você fez na clínica de fisioterapia pode não ser o tratamento certo para o seu pênis

Todas semana recebo no consultório homens que já gastaram tempo e dinheiro com sessões de “terapia por ondas de choque” para disfunção erétil ou doença de Peyronie — e que não obtiveram o resultado esperado. Na maioria das vezes, o problema não foi o tratamento em si, mas o tipo de onda que foi aplicado.

Existe uma confusão séria acontecendo, e o paciente é quem paga a conta. Por isso quero deixar isso muito claro: para o tratamento do pênis, a onda de choque correta é a FOCAL. Não a radial.

Onda focal x onda radial: por que a diferença importa

Apesar de serem chamadas genericamente de “ondas de choque”, focal e radial são tecnologias diferentes, com física, penetração e efeito biológico distintos.

A onda radial (ou “pressure wave”) é, na verdade, uma onda de pressão gerada por um projétil pneumático. Sua energia se dissipa logo na superfície da pele e não penetra em profundidade. Ela é útil em fisioterapia musculoesquelética — tendinites, pontos de dor muscular, fáscia plantar. É o equipamento que a maioria das clínicas de fisioterapia possui, porque foi para isso que ele foi feito.

A onda focal é uma verdadeira onda de choque acústica, capaz de concentrar energia num ponto específico e em profundidade. É essa concentração de energia no tecido erétil que dispara os mecanismos terapêuticos que realmente interessam no pênis:

  • estímulo à neovascularização (formação de novos vasos sanguíneos);
  • ativação de células-tronco e fatores de crescimento locais;
  • melhora do fluxo sanguíneo e da qualidade da ereção;
  • na doença de Peyronie, ação sobre a placa fibrótica e sobre a dor.

Toda a base científica que sustenta o uso de ondas de choque para disfunção erétil e Peyronie foi construída com equipamentos de onda focal. A literatura que mostra benefício é, na esmagadora maioria, com essa tecnologia — não com a radial.

Por que tantos pacientes acabam fazendo a onda errada

A resposta é simples: disponibilidade e custo. O equipamento de onda radial é muito mais barato e está presente em grande número de clínicas de fisioterapia e estética. O de onda focal é significativamente mais caro e exige indicação e acompanhamento médico adequados.

O resultado é que muitos homens são orientados a fazer “ondas de choque para o pênis” em locais que só dispõem do aparelho radial. O paciente sai de casa acreditando que está fazendo o tratamento correto — mas está recebendo uma tecnologia que não foi desenhada para atuar em profundidade no tecido erétil.

O que você precisa perguntar antes de começar

Se você está considerando ou já foi indicado a fazer ondas de choque para disfunção erétil ou doença de Peyronie, não tenha receio de perguntar:

  • Qual é o tipo de onda: focal ou radial?
  • Qual é o equipamento utilizado e o fabricante?
  • Quem está indicando e conduzindo o tratamento? O tratamento da disfunção erétil e da doença de Peyronie exige avaliação urológica — inclusive para investigar a causa do problema e definir se a onda de choque é, de fato, a melhor conduta para o seu caso.

Conclusão

Ondas de choque podem ser uma excelente ferramenta no tratamento da disfunção erétil e da doença de Peyronie — desde que seja a onda focal, aplicada com a indicação correta e dentro de uma avaliação médica completa. A onda radial tem seu valor na fisioterapia, mas não é o tratamento adequado para o pênis.

Antes de investir em qualquer terapia, informe-se. A pergunta certa pode evitar meses de tratamento sem resultado — e garantir que você receba o cuidado que o seu caso realmente merece.


Dr. Alessandro Rossol — Urologista especializado em Andrologia. Agende sua avaliação: WhatsApp (51) 98197-1117.

Referências Bibliográficas:

1.

Low-Intensity Shockwave Therapy for Erectile Dysfunction.

The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2025. Ergun O, Kim K, Kim MH, et al.

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International Journal of Urology : Official Journal of the Japanese Urological Association. 2023. Kurosawa M, Tsujimura A, Morino J, et al.

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Low-Intensity Shock Wave Therapy in Sexual Medicine-Clinical Recommendations From the European Society of Sexual Medicine (ESSM).

The Journal of Sexual Medicine. 2019. Capogrosso P, Frey A, Jensen CFS, et al.

4.

Low-Intensity Extracorporeal Shock Wave Therapy for Peyronie’s Disease: A Single-Center Experience.

Asian Journal of Andrology. 2021. Abdessater M, Akakpo W, Kanbar A, et al.

5.

Long-Term Outcomes of Extracorporeal Shock Wave Therapy for Acute Peyronie’s Disease: A 10-Year Retrospective Analysis.

International Journal of Impotence Research. 2024. Spirito L, Manfredi C, La Rocca R, et al.

6.

Low-Intensity Shockwave Therapy in Peyronie’s Disease: Long-Term Results From a Prospective, Randomized, Sham-Controlled Trial.

International Journal of Impotence Research. 2022. Sokolakis I, Pyrgidis N, Lahme S, Hatzichristodoulou G.

7.

Extracorporeal Shockwave Therapy in Peyronie’s Disease: Systematic Review and Meta-Analysis.

The Journal of Sexual Medicine. 2021. Bakr AM, El-Sakka AI.

8.

Low-Intensity Laser Diode Plus Extracorporeal Shock Wave Therapy: A New Treatment Strategy in the Management of Peyronie’s Disease.

World Journal of Urology. 2023. Dell’Atti L, Ronchi P.

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Dr. Alessandro Rossol, urologista andrologista em Porto Alegre
Dr. Alessandro
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Urologista Andrologista
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36 publicações científicas
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