Quando se fala em disfunção erétil, quase todo mundo imagina um homem mais velho. Mas a realidade do consultório é outra: cerca de um em cada quatro homens que recebem esse diagnóstico tem 40 anos ou menos. E, para o homem jovem, a dificuldade de ereção costuma vir acompanhada de um peso emocional grande, com impacto direto na autoestima e nos relacionamentos.
A boa notícia é que a maioria dos casos responde bem aos tratamentos iniciais — os comprimidos (como o sildenafil) e, quando necessário, as injeções. O problema é o que fazer quando nada disso funciona. Para esses casos, existe uma solução definitiva: o implante de prótese peniana. Mas será que ela é segura e eficaz em homens jovens? Um estudo recém-publicado ajuda a responder.
O que o estudo analisou
Pesquisadores acompanharam 56 homens de até 35 anos (idade média de 28) que passaram por implante de prótese peniana em um centro especializado em andrologia, ao longo de mais de 15 anos. É um grupo raramente estudado — a maioria das pesquisas foca em homens mais velhos.
Esses pacientes foram divididos conforme a causa da disfunção:
- Sequelas de priapismo (ereções prolongadas e dolorosas, muitas vezes ligadas à anemia falciforme)
- Causas orgânicas (lesões na medula, trauma na pelve, diabetes, doença de Peyronie, entre outras)
- Causas não orgânicas, também chamadas de psicogênicas — quando todos os exames físicos são normais e a origem está em fatores emocionais, como ansiedade e depressão
O que os resultados mostraram
Os números foram animadores e, de forma geral, semelhantes aos observados em homens mais velhos:
- 75% dos pacientes ficaram satisfeitos com a prótese
- Quase 90% voltaram a ter relações sexuais após a cirurgia
- A taxa de infecção foi muito baixa (menos de 2%)
- A satisfação foi ainda maior com o modelo de prótese inflável, hoje o mais usado
Um ponto importante: os homens jovens tiveram uma chance um pouco maior de precisar de uma revisão do dispositivo ao longo do tempo. Isso é esperado e tem uma explicação simples — como costumam ter uma vida sexual mais ativa e intensa, a prótese sofre mais desgaste mecânico ao longo dos anos. Por isso, o acompanhamento e uma conversa honesta antes da cirurgia, sobre a durabilidade do implante, são fundamentais.
Um achado que muda a conversa
Talvez o dado mais interessante seja este: o grupo com causas não orgânicas (psicogênicas) foi justamente o de maior satisfação — mais de 80%.
Historicamente, existe muita hesitação em oferecer a cirurgia a homens cuja disfunção tem origem emocional. O estudo mostra que, em pacientes bem selecionados — que já tentaram acompanhamento psicológico e tratamento medicamentoso sem sucesso —, a prótese pode, sim, trazer um benefício real e definitivo. Ou seja: uma causa emocional não deve, por si só, fechar as portas para essa solução.
O que fica de mensagem
A disfunção erétil no homem jovem tem tratamento — e, quando as opções iniciais falham, a prótese peniana é uma alternativa segura, eficaz e capaz de devolver a qualidade de vida. O segredo está na avaliação individualizada: entender a causa, esgotar os tratamentos menos invasivos e, se a cirurgia for o caminho, fazê-la com técnica e acompanhamento adequados.
Nenhum homem jovem precisa conviver em silêncio com esse problema achando que “é cedo demais” ou que “não tem solução”.
Se você é jovem e convive com disfunção erétil — e sente que os tratamentos que já tentou não resolveram —, agende uma consulta comigo. Vamos avaliar seu caso com cuidado, entender a causa e traçar juntos o melhor caminho para restaurar sua confiança e sua vida sexual.
Referência: Sarna S, et al. Penile prosthesis implantation in younger men: outcomes from a tertiary center. The Journal of Sexual Medicine. 2026;23(9):qdag227. doi:10.1093/jsxmed/qdag227.
Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.