Atualizações sobre Doença de Peyronie – AUA- Congresso Americano de Urologia 2018

No Congressso Americano de Urologia (AUA) deste ano tivemos uma sessão plenária de 50 minutos com discussão e debate sobre tratamentos  para Doença de Peyronie. Participaram desta plenária os andrologistas Lawrence Hakim, Laurence Levine, Martin Gelbard, Rafael Carrion e Gerald Brock.

Além da plenária, tivemos dois simpósios e 21 trabalhos científicos sobre estudos da doença, com perspectivas de entendimento e futuros tratamentos para o Peyronie.

Apresento abaixo um pequeno sumário realizado das principais conclusões sobre o tema:

  • Nenhum medicamento oral funciona bem. Inúmeros medicamentos para uso oral já foram testados nas últimas décadas: vitamina E, colchicina, pentoxifilina, corticóides, anti-inflamatórios e homeopáticos.  Quase todos os estudos com estas drogas mostraram baixos índices de sucesso – entre 5 e 8%. São chances de melhora da doença próximas de placebos e de observação (conduta conservadora, sem nehum tratamento).
  • Inibs da PDE melhoram a ereção quando DE associada. Muitos pacientes com peyronie apresentam DE (Disfunção Erétil) associada. Para estes pacientes está bem estabelecido o uso de medicamentos inibidores da PDE (Viagra, Levitra, Cialis e outros). Estes medicamentos funcionam bem para este propósito de melhorar a ereção e o coito destes pacientes.
  • Xiaflex é a melhor opção como droga injetável (sucesso 70-80%). Há quatro anos o FDA aprovou nos EUA o uso desta medicação para tratar doença de Peyronie. O Xiaflex é um medicamento injetável que havia sido utilizado inicialmente para contratura de Dupuytren e com bons índices de sucesso. Para Peyronie também mostrou bons resultados para melhora da curvatura peniana (melhora de 60-70% na tortuosidade). Entretanto é um medicamento ainda bastante caro (em torno de 90 mil dólares nos EUA) e ainda não disponível no Brasil. Outro ponto a ser considerado é que vários estudos mostraram riscos de fratura de pênis após o tratamento, que variam de 5-9%.
  • Verapamil Injetável voltou a ser uma indicação para tratamento de Peyronie há dois anos, quando foi recolocado nas diretrizes (guidelines) do AUA. Dr. Levine, de Chicago, um entusiasta deste tratamento apresentou uma tabela com mais de 20 estudos, todos mostrando taxas de sucesso entre 50 e 70% com o verapamil. Sucesso ele se referiu aos quesitos de dimunuição da tortuosidade e retração do pênis.
  • Interferon A2 e Ácido Hialurônico. Também são tratamentos injetáveis na placa. Estudos mostram taxas de sucesso semelhantes ao do verapamil.
  • Ondas de choque de baixa intensidade. Não melhoram curvatura, mas resolvem a dor em 95% casos. Alguns estudos em andamento sugerem que as ondas de choque bloqueiam a progressão da doença de Peyronie nas fases iniciais da doença. Outros estudos semelhantes, ainda não concluídos, mostram melhora da função erétil naqueles pacientes com doença de Peyronie e Disfunção erátil associada.
  • Plicatura é a técnica cirúrgica mais utilizada e que apresenta os melhores resultados cirúrgicos.
  • Enxerto deve ser usado quando o paciente apresentar um pênis com curvatura acentuada.
  • Prótese Peniana está indicada para pacientes com Peyronie e Disfunção Erétil associada.

 

Fonte Bibliográfica:

Congresso Americano de Urologia 2018 – http://www.aua2018.org/

2 respostas

    1. Verapamil. Injeção na placa com controle ecográfico. Sempre com anestesia local alguns minutos antes. O tratamento completo consiste em uma aplicação por semana durante seia semanas.

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