Bem-estar sexual do casal:
por que a abordagem multidisciplinar
pode fazer diferença?
Bem-estar sexual não depende apenas de desejo, ereção, lubrificação, orgasmo ou frequência íntima. Em muitos casos, a queixa íntima envolve fatores biológicos, psicológicos, interpessoais, sociais e culturais. Portanto, tratar a sexualidade do casal pode exigir uma abordagem mais ampla do que apenas prescrever medicamentos.
A queixa íntima é um problema comum que afeta homens e mulheres em todo o mundo. Além disso, pode causar sofrimento, afetar a autoestima e impactar o relacionamento. Por isso, quando a queixa íntima aparece dentro de uma relação, muitas vezes o tratamento precisa considerar não apenas o indivíduo, mas também o casal.
A saúde íntima do casal envolve função íntima, saúde emocional, comunicação, intimidade e qualidade do vínculo. Dessa forma, uma queixa de desejo, ereção, dor, orgasmo ou satisfação íntima pode ter raízes fisiológicas e psicológicas ao mesmo tempo.
Por que a queixa íntima costuma ser complexa?
Um problema íntimo raramente tem uma única causa. Portanto, uma avaliação adequada precisa investigar corpo, mente, relacionamento, rotina, histórico de saúde e contexto emocional. Além disso, essa visão evita que a responsabilidade recaia apenas sobre um dos parceiros.
Fatores biológicos
Em primeiro lugar, hormônios, doenças metabólicas, dor, medicamentos, menopausa, andropausa, função erétil e saúde vascular podem interferir na vida íntima.
Fatores psicológicos
Além disso, ansiedade, depressão, estresse, medo de falhar, vergonha e experiências prévias podem afetar desejo, excitação e orgasmo.
Fatores interpessoais
Da mesma forma, comunicação difícil, conflitos, rotina, ressentimentos e distanciamento emocional podem reduzir intimidade e satisfação íntima.
Fatores culturais e sociais
Por fim, expectativas sobre desempenho, tabus, crenças, educação sobre intimidade limitada e pressão social também influenciam a experiência sexual.
Sexo não deve ser tratado apenas como desempenho
Em medicina sexual, é importante evitar uma visão reducionista. Afinal, a vida íntima não é apenas funcionamento mecânico. Ela também envolve segurança, vínculo, comunicação, prazer, desejo, autonomia e respeito aos limites do casal.
O que foi o Programa de Bem-Estar Sexual da Universidade Loyola?
O Programa de Saúde Sexual da Universidade Loyola, conhecido como LU-SWP, foi descrito como uma abordagem multidisciplinar para tratamento de distúrbios da intimidade.
Estrutura do programa de 6 semanas
Inicialmente, o estudo acompanhou casais antes e depois de frequentarem o LU-SWP entre 2014 e 2020. Ao todo, participaram 85 indivíduos, sendo 42 homens e 43 mulheres. Além disso, o estudo avaliou homens e mulheres dentro do contexto do relacionamento. A idade dos participantes variou entre 25 e 77 anos, com média de 49,82 anos. Portanto, a amostra incluiu diferentes fases da vida adulta.
Em seguida, o programa contou com uma equipe multidisciplinar de terapeutas, urologistas e ginecologistas. Além disso, os participantes passaram por avaliações psicológicas, entrevistas individuais e exames sexológicos realizados por urologista ou ginecologista.
Durante seis semanas, os casais assistiram a palestras psicoeducativas, realizaram sessões privadas de terapia de casal e receberam tarefas para casa. Além disso, fizeram exercícios de concentração sensorial, com foco em comunicação, intimidade e funcionamento sexual.
Como o estudo mediu função íntima e relacionamento?
Para avaliar mudanças antes e depois do programa, os participantes responderam questionários padronizados. Assim, os autores puderam comparar sintomas emocionais, satisfação no relacionamento e função íntima.
PHQ-9
Avalia sintomas depressivos. Portanto, ajuda a entender se humor e sofrimento emocional participam da queixa íntima.
DAS
A Escala de Ajustamento Diádico mede satisfação no relacionamento. Dessa forma, avalia o vínculo do casal como parte do cuidado.
PROMIS
Avalia subdomínios de função e satisfação íntima relatados pelo paciente, incluindo satisfação global e interesse sexual.
IIEF
Nos homens, o Índice Internacional de Função Erétil mede funcionamento erétil e ajuda a quantificar melhora após intervenção.
Quais resultados foram observados?
Os autores relataram mudanças positivas entre as avaliações pré e pós-tratamento, especialmente na satisfação do relacionamento.
Além disso, os participantes apresentaram melhora significativa na saúde íntima. As pontuações PROMIS para satisfação global com a vida íntima, função erétil e interesse na atividade sexual aumentaram em comparação com a linha de base.
Por outro lado, as pontuações relacionadas a desconforto vaginal diminuíram consideravelmente. Especificamente, a satisfação global com a vida íntima melhorou aproximadamente 5,57 pontos. Nos homens, a pontuação média do IIEF aumentou 4,33 pontos em comparação com as medições iniciais.
Por que a abordagem multidisciplinar pode ajudar?
A melhora observada sugere que a saúde íntima pode responder melhor quando diferentes dimensões do problema são tratadas ao mesmo tempo. Por isso, uma estratégia integrada pode ser mais útil do que tratar apenas um sintoma isolado.
Pilares do cuidado em saúde íntima
Avaliação médica
Primeiramente, urologistas e ginecologistas podem investigar causas orgânicas, dor, alterações hormonais, função erétil, menopausa, andropausa e condições clínicas associadas.
Psicoeducação sobre intimidade
Além disso, palestras e orientação educativa podem reduzir tabus, corrigir expectativas irreais e melhorar a compreensão sobre resposta íntima.
Terapia de casal
A terapia pode trabalhar comunicação, intimidade, confiança, ressentimentos e padrões relacionais. Portanto, ajuda o casal a não transformar a queixa íntima em culpa individual.
Exercícios de concentração sensorial
Por fim, tarefas de concentração sensorial podem reduzir pressão por desempenho e estimular presença, toque, comunicação e reconexão íntima.
Saúde íntima do homem: onde o urologista entra?
No cuidado masculino, o urologista pode investigar disfunção erétil, ejaculação precoce, queda de libido, dor, alterações hormonais, curvatura peniana, uso de medicamentos e fatores cardiovasculares. Assim, a consulta ajuda a identificar causas tratáveis.
Função erétil
A ereção depende de vasos, nervos, hormônios, saúde emocional e estímulo adequado. Portanto, a avaliação deve ir além do comprimido.
Desejo sexual
Além disso, baixo desejo pode envolver testosterona, sono, depressão, ansiedade, estresse, relacionamento e medicamentos.
Saúde vascular
Como a disfunção erétil pode ser marcador de risco cardiovascular, investigar pressão, diabetes, colesterol e tabagismo pode ser essencial. Portanto, a avaliação sexual também pode proteger a saúde geral.
Tratamento integrado
Além disso, medicamentos, mudanças de hábitos, terapia de casal e cuidado do casal podem atuar de forma complementar.
O estudo não significa que todo casal precise do mesmo programa
Embora os resultados sejam positivos, cada casal tem história, sintomas, limites e objetivos próprios. Portanto, o estudo reforça a importância do modelo biopsicossocial, mas não substitui avaliação individualizada nem define uma receita única para todos.
Fonte bibliográfica principal
Lynn, M., Iftekhar, N., Adams, W., & Mumby, P. (2023). Multidisciplinary approach to the treatment of sexual dysfunction in couples using a biopsychosocial model. The Journal of Sexual Medicine, 20(7), 991–997. https://doi.org/10.1093/jsxmed/qdad059.
Referência informativa adicional: SMSNA — A multidisciplinary approach to sexual well-being.
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Perguntas frequentes sobre saúde íntima do casal
Queixa íntima é sempre física?
Não. Ela pode ter causas físicas, emocionais, relacionais, sociais e culturais. Por isso, a avaliação precisa considerar o paciente como um todo.
Quando o casal deve procurar ajuda?
Quando a queixa íntima causa sofrimento, afastamento, conflitos, perda de intimidade ou persistência dos sintomas, buscar avaliação pode ajudar. Além disso, quanto antes o casal conversa sobre o problema, menor tende a ser o ciclo de culpa e evitação.
O urologista trata problemas íntimos do casal?
O urologista avalia especialmente a saúde íntima masculina. No entanto, quando o problema envolve o casal, pode ser necessário integrar terapia de casal, ginecologia e psicologia.
Exercícios de concentração sensorial são úteis?
Podem ser úteis em contexto terapêutico, pois reduzem pressão por desempenho e estimulam toque, presença, comunicação e intimidade. Dessa forma, o casal pode reconstruir contato sem focar apenas em resultado.
O tratamento melhora o relacionamento?
No estudo citado, a melhora mais substancial ocorreu na satisfação do relacionamento. Entretanto, os resultados variam conforme adesão, contexto e necessidades do casal.
Saúde íntima também envolve diálogo, vínculo e avaliação completa.
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Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Portanto, qualquer tratamento para queixa íntima deve considerar histórico clínico, exames, sintomas, relacionamento, saúde mental e objetivos do paciente.