Aumento do Pênis com Penuma/Himplant: o lado que a propaganda não mostra

Existe um implante de silicone que fica embaixo da pele do pênis e deixa o órgão mais grosso em repouso. Eu acompanhei de perto, em Chicago, o Dr. Levine implantando alguns, e os resultados são muito bons. Mesmo assim, eu ainda não faço esse procedimento.

Neste artigo, eu explico o que são o Penuma e o Himplant, o que os estudos mostram de bom e de ruim, e qual alternativa eu recomendo hoje para quem quer aumentar a grossura do pênis.

O que são o Penuma e o Himplant?

O Himplant é o novo nome do Penuma, um implante de silicone criado pelo Dr. James Elist em 2004. A versão mais recente traz uma malha cirúrgica embutida e um desenho mais reforçado, que facilita a colocação dos pontos durante a cirurgia.

É uma capa de silicone colocada logo abaixo da pele, na parte de cima e nas laterais do corpo do pênis, sem envolvê-lo por completo. O FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, liberou o dispositivo em 2004 para correção cosmética de partes moles do pênis.

Três pontos que muita gente confunde:

  • Não é inflável e não trata disfunção erétil. Não tem relação com a prótese peniana que usamos em quem perdeu a ereção.
  • Aumenta o pênis em repouso. O objetivo é ganhar grossura e comprimento do pênis flácido. Ele não foi desenhado para aumentar o comprimento na ereção.
  • É uma cirurgia estética. Indicada para homens que já têm ereção normal.

O que os estudos mostram de bom

Quando a cirurgia dá certo e o paciente é bem escolhido, o resultado costuma agradar. Vamos ser justos com o procedimento.

Na maior série publicada, com 400 pacientes, a circunferência do meio do pênis passou de cerca de 8,5 cm para 13,4 cm, um aumento de aproximadamente 57%. Só que esse estudo foi feito pelo próprio inventor do implante, e isso pede cautela ao interpretar os números.

Olhando para um grupo independente, o cenário também é favorável. Na série do grupo do Dr. Levine, com 92 pacientes, 82% ficaram satisfeitos ou muito satisfeitos com a aparência do pênis, e 75% disseram que fariam a cirurgia de novo. Em outro levantamento dele, com 40 homens, a insatisfação com a vida sexual caiu de 55% para 18% depois do implante.

Foi isso que eu vi em Chicago: resultados bonitos em pacientes bem selecionados.

As complicações que a propaganda não mostra

Os números de complicação variam muito conforme quem conta a história e como a técnica é aplicada.

No estudo do inventor, as complicações mais frequentes foram seroma (acúmulo de líquido ao redor do implante) em 4,8%, formação de cicatriz em 4,5% e infecção em 3,3%. Mas 126 pacientes não consentiram em participar do estudo, o que pode ter escondido complicações. Uma publicação recente cita que a maior série registrou 19,3% de complicações, com remoção do implante em 3%.

Quando o grupo de Chicago comparou duas técnicas cirúrgicas, o quadro ficou mais preocupante: 12% de seroma e 7% de reoperação para revisar o implante. Com a incisão acima do púbis, a remoção do implante chegou a 21%, contra 6% com a incisão na lateral do escroto. Isso mostra o quanto a técnica e a curva de aprendizado pesam.

E o que são essas complicações na vida real? Um centro de cirurgia reconstrutiva relatou:

  • implante que sai do lugar na ponta do pênis, causando desconforto ao paciente e à parceira;
  • erosão da pele sobre o implante;
  • infecção;
  • perda de sensibilidade;
  • curvatura do pênis;
  • encurtamento do pênis.

Por que eu ainda não faço

O ponto que mais me pesa é o que acontece depois que o implante é retirado. A cicatriz que se forma ao redor pode se contrair e causar curvatura e encurtamento incapacitantes, que exigem nova cirurgia para corrigir. Há relato de infecção que obrigou a retirada do implante e deixou uma nova curvatura na ereção.

Uma ressalva honesta: os estudos de complicações vêm de centros que recebem os casos problemáticos, então não dá para tirar daí uma taxa real. Os próprios autores dizem que o trabalho não foi feito para medir a frequência geral. Mas isso mostra o problema: ainda faltam dados independentes e de longo prazo.

Pense assim: é uma cirurgia eletiva, feita em um órgão que já funciona. Quando dá errado, o paciente pode sair pior do que entrou, com dor, curvatura ou encurtamento, justamente no órgão que ele queria melhorar. Num procedimento estético, esse risco pesa muito.

Por isso eu ainda não ofereço o Penuma nem o Himplant. Não é desconfiança do que vi, porque os resultados em Chicago foram muito bons. É porque, para mim, um procedimento estético precisa ter risco compatível com o benefício. Eu quero ver mais seguimento de longo prazo, mais estudos independentes e taxas de complicação menores antes de colocar um paciente meu nessa situação.

A alternativa que eu recomendo: ácido hialurônico

Para o paciente que quer aumentar a grossura do pênis, o que eu recomendo hoje é o engrossamento com ácido hialurônico, um gel que o próprio corpo reconhece e absorve. Por quê?

1. É rápido e sem corte. Em geral, o procedimento leva de 20 a 30 minutos.

2. Tem o melhor perfil de segurança entre os injetáveis. Uma revisão recente concluiu que o ácido hialurônico teve o perfil mais favorável entre os materiais avaliados, com complicações consistentemente abaixo de 5%. Em uma série de 471 homens, houve duas infecções, um caso em que o produto foi retirado e três granulomas (nódulos inflamatórios), todos resolvidos. Nenhum paciente relatou disfunção erétil ou perda de sensibilidade. É preciso dizer que foi um estudo de um único serviço e que a autora declara vínculo com o fabricante do produto usado. As complicações mais comuns, de forma geral, são migração do produto, nódulos (2,2%), sangramento (1,3%) e infecção (1%).

3. É reversível. Se o resultado não agrada ou há complicação, o produto pode ser dissolvido com uma enzima chamada hialuronidase. Na mesma série, os granulomas foram resolvidos com uma única aplicação dela. Compare com o implante de silicone, que exige cirurgia para ser retirado e pode deixar cicatriz, curvatura e encurtamento.

4. O preço dessa segurança é que o efeito é temporário. O ácido hialurônico é absorvido pelo corpo e podem ser necessários retoques para manter o resultado. É limitação e vantagem ao mesmo tempo: se você mudar de ideia, o corpo desfaz.

Mas também não é isento de risco

Faltam estudos de alto nível e não existe protocolo padronizado no mundo. As taxas de complicação provavelmente estão subestimadas pelo seguimento curto. Quem faz precisa conhecer bem a anatomia do pênis e ter hialuronidase disponível. Não é preenchimento facial.

E um alerta importante: fuja de preenchedores permanentes e de substâncias não regulamentadas. Parafina, silicone líquido e óleo mineral estão associados a complicações irreversíveis, que na grande maioria dos casos exigem cirurgia.

Se você está pensando em fazer

  • Converse com um urologista antes. Boa parte dos homens que procuram aumento tem o pênis de tamanho normal. Nesses casos, a recomendação é considerar uma avaliação psicológica antes de qualquer procedimento.
  • Escolha um profissional com experiência em anatomia peniana e pergunte a ele sobre as complicações que já viu.
  • Tenha expectativa realista. O ganho é na grossura e, no caso do ácido hialurônico, é temporário.
  • Se já fez algum preenchimento ou implante e tem nódulo, dor ou assimetria, procure avaliação.

Conclusão do Dr. Rossol

O implante de silicone tem resultados bonitos, mas o risco de complicação ainda é alto para uma cirurgia estética, e quando ela acontece pode ser um desastre para o paciente. Por isso eu ainda não faço o Penuma nem o Himplant.

Para quem quer engrossar o pênis, o ácido hialurônico é a opção que eu considero hoje, justamente por ter melhor perfil de segurança entre as alternativas e poder ser desfeito com hialuronidase.

[Espaço para o Dr. Rossol: experiências vividas no consultório com pacientes que procuraram aumento peniano ou chegaram com complicações.]

Bibliografia

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Dr. Alessandro Rossol, urologista dedicado exclusivamente à saúde sexual do homem. Saúde sexual do homem, sem tabu e com ciência.

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